
Maternidade virou negócio antiético
Quando tornamo-nos mãe, uma coisa muito louca pode acontecer: você não aceitar o que está vivendo. E enquanto a resistência perdura, há os conceitos que vão te massacrar, te enganar ou te frustrar. Não consigo lembrar agora nenhum conceito que passa simplesmente a ideia de tranquilidade sem a barreira do choque. Mas pode ter, claro. Eu não lembro e não é por acaso.
Talvez você se depare com a maternidade compulsória e se questione se está inclusa nesse grupo.
Talvez você ouça falar de violência obstétrica mas se questione como algo tão cruel ainda pode ser corriqueiro.
Talvez você pesquise sobre parto normal e precise lidar com o fato de que a cirurgia pode acontecer contra sua vontade é muito mais comum do que você pensava.
Talvez você precise trocar de obstetra a cada mês, depois de revelar para cada um deles suas expectativas para o nascimento de seu filho.
Talvez você precisa entender que comer bem e se exercitar não vai te blindar contra o diabetes gestacional ou pressão alta.
Talvez você sofra com os desfechos tristes dos bebês que nasceram sob má assistência que você conheceu no grupo do Facebook.
Talvez justifiquem o filho da sua amiga ter nascido com síndrome porque ela foi “tentar” o parto normal e lhe falte coragem de responder a este tipo de impropério só porque quem disse – olha só – está grávida também.
Talvez você se decepcione com a passagem do tempo da gestação porque não conseguiu decorar o quarto ou fazer o enxoval como queria não por falta de dinheiro mas sim por achar – ou te fazerem achar – que tudo é supérfluo demais.
Talvez você não fique surpresa ao saber qual o sexo do bebê porque de fato você não criou as expectativas que todas suas amigas criaram nas gestações delas, mas silenciaram.
Talvez você não entenda o que um cortezinho “lá embaixo” pode significar – e doer – na sua sexualidade e se culpe por não conseguir fazer sexo como antes.
Talvez você não entenda porque eu disse no título que maternidade compulsória não existe, mas saiba que as frases mais polêmicas têm prendido a atenção das pessoas de uma forma programada, esperada e explorada; mesmo que seja falsa.
Eu preciso que você entenda que é ÚNICA e sendo única você jamais deve se obrigar a entender de tudo um pouco.
Procure pessoas que te ajudem porque elas ENTENDEM o que você precisa (o famoso sabem o que fazem).
Estudo requer dedicação, tempo e investimento financeiro. Não questione serviços pagos. Questione ajuda coletivas milagrosas, caixinhas de instagram que te vendem soluções mágicas. Dicas podem ser legais e úteis, mas nunca substituem um serviço pessoal.
Ninguém deve te vender uma gestação saudável, um parto humanizado ou uma maternidade real, mas muitos têm feito isso. Aprenda a reconhecer! É preciso se blindar.


