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Um dia especial: a noiva Ana Paula – O buquê

Quando eu lia sobre cerimônias e festas de casamento, eu sonhava com o dia que poderia escrever sobre o meu. Eu amava quando as noivas justificavam as escolhas e fiz parte do time que quer opinar sobre tudo e colocar a mão na massa também. Minha vontade era ter tido mais tempo para organizar, mas me podei para efetivamente fazer isso um ano antes da data. E se eu tivesse algum arrependimento seria esse.

Não digo que isso me deixa sentida ou que um dia ainda vá ser pauta da terapia. Mas a verdade é que quando somos jovens o que não falta são adultos nos avisando que somos precipitados demais. E, no fim, isso é mais sobre eles do que nós. Meu lado artístico sempre ficou em terceiro plano porque meu incentivo externo sempre foi na área dos estudos formais. Talvez a minha grande sorte e coragem na vida foi ter decidido prestar vestibular para Psicologia aos 13 anos e ter mantido isso até quando fui me inscrever na prova. A coragem eu precisei aos 20, quando, um dia, fui à uma aula e não voltei mais à universidade. Mas isso definitivamente fica para outra postagem.

O que eu realmente quero dizer, por hoje, é que sinto muito orgulho do que fiz e gosto de incentivar outras noivas a assumirem o controle de suas escolhas. E, sabendo que eu seria capaz de muito mais coisas, decidi que é chegada a hora de falar mais sobre.

O buquê foi a escolha mais aleatória que tive. Não encontrei noiva que repetisse esse feito em meu círculo social. A Internet tem essa vantagem, apresenta-nos possibilidades que não depende de onde moramos nem da nossa classe social. Nunca me pareceu estranho, nem nunca ouvi um comentário que menosprezasse ele. E a gente sabe como a opinião alheia pode nos ferir, revelando nossa vulnerabilidade. Até hoje ainda tenho pérolas que sobraram deste projeto.

De início, achei caro o valor de um buquê de flores naturais. Depois, achei que eu estava inovando em tanta coisa (terço preto, vestido feito por mim), que faria sentido seguir esta linha de raciocínio. No fundo, ainda tenho vontade de ter outra cerimônia. Uma cerimônia minha e do meu marido. Aquela coisa bem natureza, tranquila, com fotografia profissional e nascer do sol. Acordando com um dia em que não queremos que acabe. Eu gosto da ideia de fazermos o que sentimos confortáveis em cada fase da nossa vida. Para mim, receber o matrimônio na igreja nunca foi uma dúvida, mas renovar votos de forma tão livre de amarras sociais deve ser maravilhoso. Então, quem sabe, um dia, nesse contexto eu ache que pagar muito em flores naturais valha a pena. Sinceramente, ainda não sei. Por isso é incrível ser uma noiva que se impõe. Mesmo se vier críticas (e talvez nem venham porque as pessoas não estão ligando tanto assim para nós como passamos a vida achando que estão), você permanece tranquila, sem se desgastar em algumas situações.

Como eu fiz o buquê? A resposta vai ficar um pouco vaga porque não anotei os passos e já se passaram alguns anos. Então organizei alguns tópicos para o caso de você se interessar em reproduzir um projeto semelhante:

Dica nº1: procure tutoriais na internet, dê preferência aos vídeos. Assim você compreende melhor a lógica da montagem e organização.

Dica nº2: observe os materiais de acordo com as referências que você já pesquisou. Copiar certinho dá muito trabalho. Meu buquê é de 2018, quais dos materiais ainda tem por aí? Procure entender a proposta e vá atrás do material, imaginando combinações.

Dica nº3: antecipe-se e já trabalhe com as opções prevendo o que vc não vai conseguir fazer pela falta de prática. Eu fiz o da daminha primeiro, centralizando a montagem da flor com adereços de cabelo e preenchendo os espaços com as pérolas. Porém, o meu buquê seria pelo menos umas 3x maior, quais as chances de eu conseguir fazê-lo bem arredondado? A solução que encontrei foi usar uma metade de bola de isopor, fui encaixando os arames e montando pouco a pouco. Também usei cola para fixar os arames por dentro (inclusive, teste a cola antes, acabei derretendo uma parte do isopor por usar uma cola sem ler qual para qual uso era indicado…).

Dica nº3: não desista! A criatividade não se vende em loja, se vive! Tenha orgulho daquilo que você acha legal e permita-se se aventurar!

Por fim, vou deixar mais algumas fotos do casamento para que sirva de inspiração (além de confirmar eu supercombinei com o buquê, viu?).

Pedagoga, mãe de 3 meninas e apaixonada confessa por linhas, canetas e papéis. Inquieta por natureza, nunca parei — apenas mudei de rota quando precisei. Carrego rótulos que não me definem, mas me movem. Escrevo como vivo: com intensidade, coragem e sem querer silenciar o que sinto.

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