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O morro dos ventos uivantes: intensidade de emoções e relações

Fui ao cinema com meu marido assistir à adaptação do romance da Emily Brontë, “Wuthering Heights”, em português, O morro dos ventos uivantes. Eu estava ansiosa porque li o livro ainda no Ensino Médio (15 anos atrás), mas não tinha conseguido concluir as outras adaptações para o cinema, achei-as monótonas e lentas demais para me animar a seguir.

Vou tentar comentar mais sobre as impressões do filme do que do livro por algumas razões simples: faz tempo que li, não lembro bem dos sentimentos dos personagens e algumas mudanças do livro para o filme impossibilita que eu tenha uma análise envolvendo os três lados da discussão: livro, filme e vida real.

Particularmente eu amei a abordagem do filme. No início, achei que podiam pesar muito na mão nas cenas por conta da imagem do cartaz quando fui ver a programação do cinema. Mas acredito que, do ponto de vista geral, foi possível perceber que a relação de Catherine e Heathcliff era intensa, real e avassaladora. Isso é muito importante quando olhamos para o todo, pois isso os tornava humanos e também contribuiu para a ruína de ambos.

Se este filme fosse usado para um Trabalho de Conclusão de Curso sobre dependência emocional em filme, cenas não faltariam. É incrível como quase todos os personagens estão à beira da loucura, extrapolando limites e aceitando muito menos do que deveriam, isso quando havia algo a ser ofertado.

Catherine é o retrato de quem que precisa escolher entre o que quer e o que precisa. Heathcliff é o retrato de quem precisa vingar-se para se sentir reconfortado. Onde havia dor, cavou-se mais dor. E o amor? Não se sabe o que não se vive. O casal tinha química, tinha ligação, tinha sintonia. Mas a dor, a confusão e a traição alimentaram o ódio em cada um até tomar conta também dos sentimentos bons que um dia viveram.

É um bom filme para chorar, chocar e questionar: até onde, em um relacionamento, eu posso confiar? Lutar? Viver? O temperamento deles e a intensidade de suas emoções garantem um ótimo entretenimento dramático. Recomendo!

Pedagoga, mãe de 3 meninas e apaixonada confessa por linhas, canetas e papéis. Inquieta por natureza, nunca parei — apenas mudei de rota quando precisei. Carrego rótulos que não me definem, mas me movem. Escrevo como vivo: com intensidade, coragem e sem querer silenciar o que sinto.

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