Vida pessoal

Eu vou e talvez consiga voltar…

Acho que começa na adolescência, sabe? Os primeiros conflitos sobre entender que não é você que vai ditar a regra do grupo, mas o grupo todo vai seguir a regra de alguém.

Começa como algo inocente, eu lembro que eu queria muito assinar uma determinada revista quando eu era criança. E você pode achar que era compreensível se eu via meus colegas de sala com suas revistas e eu não. Mas na verdade era só uma colega que tinha. E você ainda pode achar compreensível porque de certa forma dói quando descobrimos que não podemos ter tudo, principalmente quando não se tem nada. Mas nem chegue a tanto. Porque eu tinha revistas por assinatura, mas era um tipo que ninguém da minha sala ouvira falar. Anos depois, resgatei várias edições de um ponto de reciclagem, um momento bem nostálgico para mim. Reconheço que não valorizei na época, não por não aproveitar a revista (eu lia e relia sempre), mas por não conseguir compartilhar sobre.

E é basicamente isso. Eu não tinha quem me ouvisse ou conversasse sobre, então eu queria ter as mesmas coisas que aquelas crianças para que pudéssemos compartilhar algo. São valores invertidos, eu sei. Afinal eram revistas por assinatura, ainda é possível trocar ideias e até de revistas entre si.

Hoje, vejo como diversas situações se repetem nesta mesma estrutura: eu tenho equivalentes, mas não sou ouvida. Eu quero gritar e sou silenciada. Ou eu copio e arrisco ter 1% do brilho momentâneo ou eu insisto em ser eu. Mas até para ser nós mesmo, há dor e sofrimento.

Vejo tantas pessoas isoladas, com poucos amigos, com rotinas tão fixas. Eu vejo isso e sinto falta delas. Nas suas rotinas, eu não tive espaço. Dentre suas amizades, eu não tive chance. No isolamento de cada um, há a paz e tranquilidade que tanto almejaram.

E eu me derramo. Como um rio, eu desvio dos obstáculos e sigo. E tento arrastar qualquer um que me conquiste com sua gentileza, que dê espaço para eu criar raízes. Sorrindo, eu me permito ir. Mas choro quando não consigo voltar.

É por isso que escrevo. Meu drama completo em palavras simples, meu grito surdo de silêncio.

Pedagoga, mãe de 3 meninas e apaixonada confessa por linhas, canetas e papéis. Inquieta por natureza, nunca parei — apenas mudei de rota quando precisei. Carrego rótulos que não me definem, mas me movem. Escrevo como vivo: com intensidade, coragem e sem querer silenciar o que sinto.

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