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Estar presente no presente é mesmo um presente

Quando eu era criança lia muito os livros da estante da minha mãe. A maioria eram livros didáticos e eram meus preferidos por conta da variedade dos textos que eu encontrava. Tinha quadrinho, cartum, crônica, conto, poesia, música, uma infinidade de textinhos e textões, temas e contextos.

Um dos textos eu sempre pulava quando lia o título era o da Marina Colasanti: Eu sei, mas não devia.

Toda vez que aparecia, eu passava a folha. Afinal, eu não queria saber se fosse melhor não saber. Eu não encarava. E me questionava porque cargas d’água a Marina achou boa ideia falar de algo que ela sabia que era melhor não saber.

Porém, um dia, eu li. E lendo, entendi que a Marina estava apenas respondendo um questionamento que ela mesma observou e percebia como o novo padrão. E mesmo que esse padrão já a tivesse engolido, ela queria registrar que estava ciente e que não concordava.

Hoje quando eu vejo que minha postura não agrada o novo mundo que se desdobra à nossa frente, eu penso: mas é esse é o mundo no qual eu vivo, é nele que vou escrever minha história, não no mundo que vem depois deste. Estar presente no presente é mesmo um presente. Eu sei e você devia saber também.

Aceitar o mundo em que vivemos é saber que mesmo com limitações só temos esta vida para viver. E não estou filosofando, nem problematizando. Estou repetindo o óbvio: a gente planta sem saber se vamos colher porque só temos o hoje. Então podemos até nos acostumar, mas não devíamos. Nem em 1972 nem em 2025. E muitos daquele ano nem estão aqui hoje. Não é sobre a passagem do tempo. É sobre a vida que adiamos sem perceber, sem lutar por ela. Sacrifícios sem propósitos são inúteis. Propósitos sem sacrifícios são falsos. É uma linha tênue, mas real. Eu sei e todos vocês deviam saber também.

Pedagoga, mãe de 3 meninas e apaixonada confessa por linhas, canetas e papéis. Inquieta por natureza, nunca parei — apenas mudei de rota quando precisei. Carrego rótulos que não me definem, mas me movem. Escrevo como vivo: com intensidade, coragem e sem querer silenciar o que sinto.

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